Velocidade híbrida na Fórmula 1
Enviado: Qui Abr 28, 2011 10:45
Em até dois anos, motores menores, elétricos e mais econômicos vão reduzir drasticamente um consumo que chega a 200 mil litros de petróleo por escuderia a cada temporada da F1
Entre corridas e treinos, um carro de Fórmula 1 queima cerca de 3,6 mil litros de combustível num único fim de semana. Por mais afinada que seja a aerodinâmica da máquina, cada piloto roda, em média, só 1,3 quilômetro por litro, com o escapamento soltando gases a quase 950° C. É um ambiente tão escaldante que a temperatura do óleo atinge 130 graus – ante 80 graus em carros de passeio. Somando-se 200 litros de óleo, 180 litros de fluido para o câmbio e 80 litros para o sistema hidráulico, gastam-se 200 mil litros de petróleo por time a cada temporada. Neste ano, porém, a F1 começa os ensaios para tempos mais ecológicos – e econômicos. Voltam aos circuitos os sistemas de recuperação de energia cinética (cuja sigla em inglês é Kers), que adicionam 80 cavalos extras ao motor, durante seis segundos e meio, em retas, sem queimar gasolina. Tocados a baterias de íon de lítio, eles dão a largada para a chegada da eletricidade ao mundo da velocidade. “Com o Kers, os carros poderão ser mais econômicos e continuar possantes”, afirma Axel Plasse, diretor da Renault Sport F1.
Introduzido há dois anos, o Kers não trouxe grandes benefícios às equipes que o adotaram, como McLaren e Ferrari – e acabou eliminado na temporada de 2010. A partir de 2013, porém, os atuais motores V8 com 2.4 litros e 18 mil giros por minuto serão substituídos por propulsores de quatro cilindros e apenas 10 mil RPM. Para garantir alto desempenho com menos força bruta, aposta-se num super Kers, capaz de adicionar cerca de 160 cavalos ao carro. É o suficiente para dar fôlego de sobra para ultrapassagens e reduzir o consumo de combustível em pelo menos 35%. Em dois anos, a meta é fazer com que a quantidade de energia introduzida nos Kers salte dos atuais 400 joules para dez vezes isso. “O impacto em um carro de F1 será considerável”, afirma Plasse. Fala-se em até 2 segundos por volta, a diferença que separa os líderes do fundo do pelotão.
Outra oportunidade para arrancar mais cavalos do motor é reaproveitar os gases quentes que saem dos escapamentos. “A Fórmula 1 ajudou os carros a serem mais seguros. Agora, é a vez de pensar na ecologia”, diz Jean Todt, presidente da Federação Internacional de Automobilismo. Está em jogo a sobrevivência da categoria. Desde a crise de 2009, fabricantes como BMW, Toyota e Honda debandaram da F1. Só em 2010, algo como US$ 100 milhões em patrocínios deixaram o paddock. Com uma tecnologia mais próxima à usada nos carros de série, a ideia é atrair novos fabricantes. Um dos alvos seria a Volkswagen (ou uma das marcas do grupo, como Audi e Porsche). A atual campeã, a Red Bull, patrocina times que correm com utilitários esportivos Touareg, da Volkswagen, no Rali Dacar, e com modelos de turismo da marca no DTM. “Seria fantástico se eles pudessem competir conosco também na F1”, diz o austríaco Dietrich Mateschitz, dono da Red Bull. Mas não é para agora.
Há uma condição inusitada para a aceitação desses motores mais frugais: os carros terão de manter o estrondo imponente nas pistas, uma marca para os milhões de fãs da F1. “Não importa se o motor tem oito, seis ou quatro cilindros”, diz Bernie Ecclestone, o todo-poderoso da Fórmula 1. “Para mim, a questão é continuar a produzir o ronco.”
Fonte: Globo.com
Entre corridas e treinos, um carro de Fórmula 1 queima cerca de 3,6 mil litros de combustível num único fim de semana. Por mais afinada que seja a aerodinâmica da máquina, cada piloto roda, em média, só 1,3 quilômetro por litro, com o escapamento soltando gases a quase 950° C. É um ambiente tão escaldante que a temperatura do óleo atinge 130 graus – ante 80 graus em carros de passeio. Somando-se 200 litros de óleo, 180 litros de fluido para o câmbio e 80 litros para o sistema hidráulico, gastam-se 200 mil litros de petróleo por time a cada temporada. Neste ano, porém, a F1 começa os ensaios para tempos mais ecológicos – e econômicos. Voltam aos circuitos os sistemas de recuperação de energia cinética (cuja sigla em inglês é Kers), que adicionam 80 cavalos extras ao motor, durante seis segundos e meio, em retas, sem queimar gasolina. Tocados a baterias de íon de lítio, eles dão a largada para a chegada da eletricidade ao mundo da velocidade. “Com o Kers, os carros poderão ser mais econômicos e continuar possantes”, afirma Axel Plasse, diretor da Renault Sport F1.
Introduzido há dois anos, o Kers não trouxe grandes benefícios às equipes que o adotaram, como McLaren e Ferrari – e acabou eliminado na temporada de 2010. A partir de 2013, porém, os atuais motores V8 com 2.4 litros e 18 mil giros por minuto serão substituídos por propulsores de quatro cilindros e apenas 10 mil RPM. Para garantir alto desempenho com menos força bruta, aposta-se num super Kers, capaz de adicionar cerca de 160 cavalos ao carro. É o suficiente para dar fôlego de sobra para ultrapassagens e reduzir o consumo de combustível em pelo menos 35%. Em dois anos, a meta é fazer com que a quantidade de energia introduzida nos Kers salte dos atuais 400 joules para dez vezes isso. “O impacto em um carro de F1 será considerável”, afirma Plasse. Fala-se em até 2 segundos por volta, a diferença que separa os líderes do fundo do pelotão.
Outra oportunidade para arrancar mais cavalos do motor é reaproveitar os gases quentes que saem dos escapamentos. “A Fórmula 1 ajudou os carros a serem mais seguros. Agora, é a vez de pensar na ecologia”, diz Jean Todt, presidente da Federação Internacional de Automobilismo. Está em jogo a sobrevivência da categoria. Desde a crise de 2009, fabricantes como BMW, Toyota e Honda debandaram da F1. Só em 2010, algo como US$ 100 milhões em patrocínios deixaram o paddock. Com uma tecnologia mais próxima à usada nos carros de série, a ideia é atrair novos fabricantes. Um dos alvos seria a Volkswagen (ou uma das marcas do grupo, como Audi e Porsche). A atual campeã, a Red Bull, patrocina times que correm com utilitários esportivos Touareg, da Volkswagen, no Rali Dacar, e com modelos de turismo da marca no DTM. “Seria fantástico se eles pudessem competir conosco também na F1”, diz o austríaco Dietrich Mateschitz, dono da Red Bull. Mas não é para agora.
Há uma condição inusitada para a aceitação desses motores mais frugais: os carros terão de manter o estrondo imponente nas pistas, uma marca para os milhões de fãs da F1. “Não importa se o motor tem oito, seis ou quatro cilindros”, diz Bernie Ecclestone, o todo-poderoso da Fórmula 1. “Para mim, a questão é continuar a produzir o ronco.”
Fonte: Globo.com